VIAGEM DE INVERNO À POLÔNIA
Isto não é extraordinário. Estas não são grandes ocasiões. Não há mortos nem feridos, não se vê sinais de tragédia, não há nenhuma celebração, a natureza não é esplendida: o sol não saiu, as flores não enfeitam nada. Não, nada aqui é surpreendente. Não há a preocupação de se estar no lugar certo no momento certo. O esforço do apuro não ficou aparente. Estes instantes talvez fossem desprezados, talvez ficassem perdidos para sempre no tempo. Eles não estão no rol do que facilmente identificamos, ou que estamos acostumados a conceber como “fotografável”. E é assim, com suas câmeras de plástico e um olhar particularíssimo, que Bernard Plossu, considerado o último fotógrafo andarilho da contemporaneidade, vai fazendo seus recortes da realidade, plasmando a síntese do casual, do mero encontro, do fortuito, tecendo sua trilha incidental sobre o ordinário. Sem grandes dramatizações, ele capta a verdade aparente de um país num determinado momento, mantendo-se o mais próximo possível da vida cotidiana. E isso é o que importa aqui. Menos é mais.

Érica Rodrigues