30/04/08
ROLÊ NA REDAÇÃO

Cauê Ito, Lucas Pupo e Ronaldo Franco, do Coletivo Rolê participam de projeto da FS Online

Na terceira edição do Projeto Na Redação, depois de receber dois grandes mestres da fotografia brasileira, a equipe da FS Online abriu espaço para um jovem grupo de fotógrafos que vêm se destacando por mostrar uma cidade de São Paulo pouco conhecida: lugares distantes e nada aconchegantes, pessoas que ninguém vê, o olhar com o filtro da luz artificial da noite. Para representar o coletivo Rolê que hoje conta com 14 integrantes oficiais (e diversos outros extra-oficiais!) a redação recebeu Ronaldo Franco, Cauê Ito e Lucas Pupo. Em uma conversa bastante franca e descontraída, eles falaram sobre a origem do grupo em uma mesa de bar (que até hoje é o ponto de partida dos rolês), o poder de mudança social que uma foto pode ter e sobre a agitação e a paquera que acontece na noite. Antes de sair, o Rolê deixou recado: se depois dessa entrevista você se animar para sair no próximo rolê, basta entrar no site www.role.art.br e deixar recado.

Flávia Lelis - Quem são vocês, de onde vocês vieram?

Ronaldo - Eu sou Ronaldo Franco, trabalho há 11 anos com fotografia. Comecei mais no meio dos esportes: bicicleta, triarhtlon, corrida de aventura. Hoje, dou aula no Senac, tenho um estúdio, sou sócio do Cauê, colaboro com algumas revistas, faço um pouco de tudo. E tenho um prêmio da BMW, que ganhei em 99.

Denis von Brasche- Vocês são todos de São Paulo? Nascidos aqui?

Cauê - Tem o Batalha [Paulo Batalha], que não nasceu em São Paulo...

Ronaldo - Ele nasceu no Rio de Janeiro, mas veio pra cá muito novo.

Daniel Andreazzi - Então ninguém teve que se adaptar à vida de São Paulo?

Ronaldo - Não... Já tava todo mundo extremamente adaptado quando começou. [risos]

Lucas - Até demais! Na verdade a gente começou o coletivo, mas uma parte já se encontrava por amizade, acabou calhando de todo mundo curtir sair pra fotografar à noite, de estar com o equipamento. Do bar que a gente se encontrava, a gente acabou indo fazer esse trabalho pessoal.

Cauê - Foi uma conseqüência dessa adaptação.

Flávia - E você Cauê, qual a sua história?

Cauê - Eu sou formado em Jornalismo. A fotografia vem do meu pai, que era fotógrafo amador, tinha aquelas coleções de caixas de cromo intermináveis. Isso foi reforçado no curso de jornalismo e depois eu comecei a trabalhar de assistente no Estúdio Abril, fiquei lá meio frilando, meio fixo, por quatro anos, até quando o estúdio fechou. Aí continuei fotografando profissionalmente, fui assistente de vários fotógrafos. Fiz curso Abril de Jornalismo em fotografia, morei fora um tempo também, fui assistente em Londres. E hoje tenho o estúdio com o Ronaldo e mais dois sócios.

Lucas - Eu sou o Lucas Pupo. Meu pai era fotojornalista, nos anos 70, do Estado de S. Paulo e da Folha de S. Paulo. Em casa também sempre tinha máquina, negativo, fotos dos filhos. Eu sou formado em Propaganda e Marketing, também comecei na aula de fotografia, sempre tive câmera, fui pegando no tranco. Só que por conta do destino eu acabei indo trabalhar como artista plástico e comecei a fazer trabalhos de arte para alguns fotógrafos, como fornecedor. Depois de um tempo migrei para a área de produção, trabalhei muitos anos com produção de filme publicitário, sempre trabalhando com a fotografia em paralelo, com alguns jobs. Aí comecei a conhecer outros fotógrafos. Hoje estou trabalhando em um estúdio bem grande, sou assistente de um fotógrafo publicitário. Faço também um pouco da coordenação de produção do estúdio. Mas nesse tempo todo nunca deixei de fotografar e acabei trombando com o pessoal do Rolê.

Flávia - Essa era a próxima pergunta, porque é muita gente! Além dos doze que estão no site, tem mais?

Lucas - São catorze agora. Há uns dez anos eu conheci o Cauê, ficamos amigos de faculdade, a gente saía às vezes à noite, para dar um rolê mesmo. Aí tínhamos uns amigos em comum, que gostavam também de fotografia, aí decidimos organizar um grupo. Sentamos na mesa de um bar e fizemos uma lista dos doze nomes que estavam mais próximos, mais presentes. Mas passava muita gente, muitos amigos que não estavam nessa lista. Desses amigos que passaram a freqüentar esses rolês, decidimos anexar dois deles.

Ronaldo - Na verdade, a princípio ter doze nomes foi mais porque a gente começou a aparecer em alguns lugares, revistas, TV e sempre perguntavam: “Vocês fotografam, mas como que faz para ver?”. Quando estivemos num programa do Multishow, a gente pensou que precisava ter um site, daí demos o endereço na entrevista sem ter o site pronto no ar ainda. [risos] Mas a gente não considera parte do coletivo apenas os estão com o nome no site. Esses foram só os que participaram mais, entraram na vaquinha para pagar o site, por isso foi fechado assim. Mas eu acredito mesmo que quem está com a gente em cada rolê, faz parte. É uma grande discussão, se foto de convidado entra no site, vai pra exposição, existem esses problemas. Por isso são catorze membros, mas não quer dizer que se você não for um deles não pode ir com gente.

Lucas - Tem algumas facções dentro do grupo, tem os mais libertários, que acham que quem quiser aparecer, vai aparecendo, não teria uma coisa formada, seria mais anárquico mesmo.

Denis - Mas como quem não é do grupo fica sabendo dos rolês?

Ronaldo - Tem que ser meio amigo...

Lucas - É no boca-a-boca, então tem que ser meio amigo. Às vezes você acaba levando alguém que tava junto com você na hora que sai para o rolê. A gente fez um mega rolê lá no centro, levamos sessenta e poucas pessoas, foi um pouco mais planejado, o Ronaldo levou os alunos dele. Levamos até amigos nossos que não fotografam, que desenham, são artistas gráficos e acabam também curtindo a própria caminhada, conhecer São Paulo melhor. É um movimento de reconhecimento da cidade, até por lugares menos aconchegantes de São Paulo.

Flávia - Vocês falaram que definir o número de integrantes é complicado. E a idéia do Rolê está virando mais séria. Na hora de assinar um trabalho, como vocês fazem?

Ronaldo - Sempre o Rolê, não tem individual, é sempre o coletivo.

Flávia - Então esse é um acordo para entrar no Rolê, não é? Porque é nessa hora que as coisas pegam. Na hora de tirar as fotos, é legal, todo mundo se diverte. Mas a hora que imprime, é a sua foto, você que tirou...

Ronaldo - Mas a gente nunca teve nenhum problema desse tipo, por mais incrível que possa parecer.

Lucas - De qualquer maneira, nem todo mundo pode ir em todos os rolês, então a coletividade está no início da rede, ela não pertence ao cara que clicou. Entre a gente, a gente sabe quem tirou qual. Quando chamaram a gente para uma exposição na Plastik, cada um teve que escolher uma ou duas fotos suas pra levar. Quando venderam a primeira, parabenizamos o cara!

Ronaldo - No caso da Plastik, tivemos que creditar as fotos, porque a dona da galeria disse que não podia expor uma obra sem o nome do artista. Muita gente não quis, mas eu acho que tem casos que também não tem problema. Mas foi só dessa vez.

Flávia - Mas e o dinheiro da venda?

Ronaldo - Aí dividimos, uma parte para o autor, uma parte para o coletivo.

Lucas - A maior parte para o coletivo, a menor para o autor.

Flávia - Eu conheço um coletivo, que é muito próximo da gente, que é a Cia de Foto, eles trabalham com isso numa boa. E não existe João, Rafael e Pio, existe a Cia de Foto.

Lucas - É, com três é mais fácil. Se eu convenço um, pronto, já ganhei. [risos] Com catorze é mais complexo, não é uma coisa que tem a ver com convencimento, mas com uma verdade sobre o assunto. As discussões são longas. [risos] Mas às vezes também rola uma confiança, as pessoas deixam uma ou outra assumir algumas responsabilidades.

Flávia - A sociedade está cada vez mais individualista e vocês decidiram trabalhar em grupo. Acho isso uma ousadia, especialmente com fotografia, que brilha normalmente com a autoria individual. Então acredito que seja um trabalho árduo. Por exemplo, quando o pessoal da Cia se inscreveu no World Press Photo, não aceitaram que o trabalho fosse assinado pela Cia, tinha de ter um nome. Eles acabaram ganhando, mas para mídia ficou o nome do João Kehl.

Lucas - Eu não me sentiria bem.

Ronaldo - No nosso caso, eu ouso dizer que a gente não participaria. É complicado esse negócio de individualismo. Quem está de fora, vê um coletivo. Mas cada imagem, o material de cada um, é extremamente individual, na verdade.

Flávia - Quando eu conversei com o Lucas, há dois anos, ele me contou de como era o clima das reuniões, em bares, bem informais. Agora o negócio está tomando corpo, a idéia está mais séria, vocês estão assumindo trabalhos como o Rolê. Vocês pretendem se regulamentar, com um escritório, como uma agência, tornar o grupo especializado em determinada cena ou mesmo um banco de imagens?

Ronaldo - No meu ponto de vista, ainda está assim e eu preferia que continuasse. Embora eu ache que não vá ser possível daqui a um tempo. Já tivemos problemas em que precisaríamos ter firma, para dar nota. A gente está tentando solucionar. O banco de imagens, eu acho que estamos caminhando para isso sim.

Cauê - A gente até entrou em negociação com o pessoal do SambaPhoto, porque imagina o acervo de fotos do Rolê daqui a 20 anos? Vai ser um documento da cidade importante. Eu não abriria empresa não, continuaria do jeito que é e quem quiser comprar que entre em contato com a gente. Mas o banco de imagens uma hora vai ter que ser negociado, mas os processos com 14 pessoas são mais difíceis de decidir. É uma longa discussão, não tem muito projeto a longo prazo. Mas eu almejo alguns projetos maiores que, talvez se a gente não se organizar melhor, a gente não consiga. Como, por exemplo, expandir esse nosso trabalho para outras capitais do Brasil. E talvez seja difícil a gente ter essa organização que uma empresa tem, que seria bom até para ter credibilidade. Acho que a gente vai naturalmente caminhando nesse sentido.

Lucas - Com certeza o que o Cauê falou é verdade, se a gente tivesse um escritório, uma mesa, um lugar onde todo mundo pudesse achar as fotos catalogadas, organizadas, com uma secretária para atender ao telefone, a gente teria mais agilidade. Eu não sei até que ponto a gente atropelaria esse nosso espírito, de como o grupo se formou. O grande desafio vai ser realmente se organizar de uma forma que a gente consiga fazer projetos do tamanho que a gente imagina que possam ser feitos, sem perder o clima.

Flávia - Hoje, se vocês não estão fazendo um trabalho focado para um cliente, qual a finalidade do que estão fazendo?

Lucas - Prazer!

Cauê - Arte e prazer!

Ronaldo - O motivo maior é esse, juntar amigos para conversar sobre fotografia, sair para fotografar, é o princípio básico. O que isso venha a ser daqui para frente vai ser mera conseqüência; até então tivemos conseqüências que a gente nem cogitava. Por isso sou a favor de continuar como está.

Cauê - Claro que todo mundo, quer tirar boas imagens, mas esse envolvimento de se mexer, de ir para lugares de São Paulo que pouca gente conhece, menos acessíveis, de conversar com as pessoas que estão lá, é tão ou mais importante que a produção fotográfica em si. A gente dá muito valor para essa experiência de estar vivendo São Paulo mesmo.

Flávia - Fotografar à noite tem grande diferença? Tem mais adrenalina?

Ronaldo - Tem diferença sim. A princípio a opção não foi de fazer fotos à noite pela condição de luz noturna. Foi porque a gente já se encontrava em bares e resolvemos pegar as câmeras e sair. O lance da adrenalina, muita gente pergunta, mas eu acho o centro mais calmo à noite, menos perigoso do que de dia. Quanto à técnica, de dia você com uma câmera na mão, correndo, resolve rapidinho. Mas de noite não existem regras, você pode usar flash ou pode usar tripé e longa exposição. É a grande diferença. Essa vida da noite combina com a fotografia e com a vida da maioria dos catorze.

Lucas - Eu acho que a postura de não estar fazendo um trabalho profissional, mais amador no sentido de amar mesmo, é mais contemplativa. O olhar é menos compromissado, o cenário é completamente diferente, parece uma outra dimensão, as pessoas são outras, a atmosfera é outra. E você abre o tripé, dispara e fica um bom tempo esperando. É mais intenso, tenho menos concentração técnica, uma liberdade maior.

Flávia - Vocês já foram muito criticados? Como lidam com isso? Já falaram que o que fazem é falta do que fazer, já pegaram pesado?

Ronaldo - Não que tenha chegado aos meus ouvidos. [risos] Mas acho que também não teria cabimento, porque não é como se a gente fizesse isso todas as noites das nossas vidas. Tem um lado mais de lazer, como se fosse um dia da semana ou do mês apra jogar futebol com os amigos. A gente não deixa de trabalhar por isso.

Lucas - Também é difícil reunir todos os catorze, nem sempre todos podem ir. Não é como se fosse uma obrigação, é sempre tranqüilo. E eu sempre ouço mais pessoas falando bem, achando legal, querendo ir junto. As matérias que saem sobre a gente são sempre positivas. Nenhum curador de renome nunca questionou, foi a fundo, de chegar no âmago e fazer críticas ruins. Até porque o que eles poderiam falar? É só um grupo de amigos que gosta de sair e fazer fotos. Vão criticar a qualidade das fotos? Num vão, desculpa. [risos] São catorze caras que trabalham há muitos anos com fotografia, é difícil questionar isso.

Flávia - Em que ano começou o Rolê?

Ronaldo - Foi em 2004.

Flávia - Desse tempo pra cá, nesses quase quatro anos, eu queria que cada um de vocês falasse um rolê que tenha marcado e por qual motivo.Vocês nunca passaram por perrengue, nenhum problema?

Lucas - Uma vez acabou minha bateria, eu fiquei puto. [risos]

Cauê - Uma vez no Pacaembu um moleque de rua derrubou minha câmera no tripé. Ele pediu pra ver, eu deixei, só pedi pra ele não encostar, mas aí ele acabou derrubando. Mas tudo bem, acontece. De rolê que eu achei muito interessante foi o do Mercado Municipal, que foi bem no começo de grupo, não tinha formação, não era tão sério. E de noite funciona tudo, tem muita movimentação. A gente conversou com os trabalhadores, como funcionam as coisas, os transportes, foi meio que um underground do Mercado. Foi bem legal.

Ronaldo - Para mim foram dois, na verdade. Um quando a gente atravessou a marginal e chegou até o rio Pinheiros e o outro no prédio da Bienal, que a gente conseguiu fechar só para gente. Ligamos lá e liberaram o prédio durante 24 horas para gente.

Cauê - O rolê que a gente levou mais de sessenta pessoas para o centro também foi muito legal. A gente literalmente invadiu o centro, tinham pessoas em vários lugares e prédios ao mesmo tempo: no Teatro Municipal, no Anhangabaú, no Praça do Patriarca, descendo o Largo do Café. A gente olhava e pensava: “Olha o que a gente conseguiu movimentar!”.

Lucas - O Viaduto do Chá tomado, acho que foi o que marcou e que de tempos em tempos vá rolar mais coisas assim.

Flávia – Uma das séries que mais gosto no site de vocês é a do Mercado Municipal, onde vocês retratam bastante os personagens que circulam naquele espaço. Como é esse ambiente? Como é a relação de vocês com essas pessoas?

Ronaldo – Ali os caras vão dar dois assobios, se você vacilar dois segundos, eles vão te atropelar. (risos)

Cauê – Na verdade, a gente pega o cotidiano deles. Uma vez nós levamos uma cadeira de roda, porque no grupo temos duas pessoas que fazem vídeos das ações do Rolê, e depois de eles usarem para tomadas, nós pegamos as cadeiras e começamos a brincar de corrida dentro do mercado. Daqui a pouco os caras [os trabalhadores] passavam a milhão...Os seguranças apareceram e nós dissemos que estávamos autorizados [risos] Nós continuamos até uma hora que nós caímos, daí quebrou a câmera. Foi um dos poucos lugares que tinha muita gente e luz.

Ronaldo – Nesses casos de fotos com gente, se a pessoa está dormindo ou não está com paciência, ou não está a fim de ficar lá esperando, debaixo de uma luz, eu nem faço a foto. Sempre que há a possibilidade, sai um ou outro retrato, às vezes, não sai pela falta de condição de luz.

Lucas – Entre a gente existem muitos estilos, eu não gosto de fotografar gente.

Flávia - Você comentou sobre os meninos de rua que têm o interesse desperto pela presença das câmeras. Vocês já pensaram em reverter isso para uma ação social?

Cauê – Eu gosto muito desse cunho social. Eu sempre me lembro daquele filme “Nascidos em Bordéis”, que é impressionante. Acho que a fotografia tem esse poder de mudança social, acho que o jeito que a gente trabalha pode muito bem ter esse lado social, não só artístico. Tem alguns projetos, como os dos Mananciais [De Olho nos Mananciais, expedição fotográfica coordenada por Iatã Cannabrava] que nós participaremos que tem esse caráter de orientação fotográfica.

Lucas – A gente não é financiado para conseguir fazer algo mais catedrático, acho que nós podemos nos associar a outras entidades, mas não algo que parta de nós.

Ronaldo – Lá no projeto de Olho nos Mananciais a idéia inicial é que nós façamos fotos de madrugada com um grupo de 15 crianças de uma ONG, mas não tem nada fechado.

Cauê – Estava pensando nisso agora e o que acho é que hoje nós já fazemos um trabalho meio social, pois às vezes nos rolês as pessoas passam por lugares de São Paulo, que elas nunca tinham ido, então nós estamos incentivando que elas conheçam a cidade, que enxerguem o lugar onde elas estão vivendo.

Denis - Você falou do poder da foto, mas até que ponto você acha que uma foto tem poder de provocar uma mudança?

Cauê - Ah...você se vê e enxerga mais o lugar aonde você está vivendo, talvez consiga refletir melhor sobre sua condição de vida .

Lucas – Por exemplo, uma vez numa saída acho que era uma aluna do Ronaldo, que estava no Viaduto do Chá e ficou pirando no piso. Nunca tinha visto. Porra, passa lá e não vê! Porra, não é só o Rio de Janeiro que tem essas coisas.

Flávia - Olhando para o Brasil como cidadãos, fotógrafos, pais de família o que vocês não suportam mais? O que os faz desligar a televisão?

Lucas – O que mais me irrita, que me deixa mais indignado é o uso do dinheiro público. Acho que ali está a chave crucial. Mas acho que o roubo do dinheiro público é uma faísca para outras coisas. Penso nas coisas mais práticas, se fechasse a torneira do dinheiro, as pessoas poderiam receber direito, sobraria dinheiro para educação, para saúde. Imagina se todo mundo dessa janela [foto de Bob Wolfenson disposta na redação] desse R$0,10? Era dinheiro para caramba! O roubo no dinheiro público é um fator fundamental para por ordem na casa.

Cauê – O que acho que falta é uma política corajosa que rompa com interesses pessoais e privados. Sempre foi assim! Sempre essa roubalheira, essa política casada com interesses de empresas! Vai ser assim até quando? Tem que mudar essa cadeia corporativista, porque se não as mudanças podem até vir, mas só meus netos, quem sabe verão algo.

Ronaldo - Acho que os meninos falaram bem, mas só linkaria a questão dos projetos voltados para cultura. Porque quando você tenta arrumar 15 mil para reverter em um projeto de cultura é impossível.

Denis - Eu vou partir para temas mais leves. Qual é o rolê do rolê?

Cauê – Bom eu e o Ronaldo somos sócios, então a gente trabalha junto, faz trabalho pessoal junto e saímos juntos para balada [risos].

Ronaldo - Gosto de sair bastante à noite, para ouvir música eletrônica, rock...gosto bastante de barzinhos, estou sempre no Mercearia.

Lucas – Já saí bastante, mas agora estou numa fase mais tranqüila, meu primeiro filho está para nascer. Não tenho saído muito, até porque é muito trabalho. Só tenho tocado meu curso de mergulho para me tornar instrutor. Outro dia estava lembrando de um curso de fotografia que eu fiz na ESPM, com o João Galieri, e eu perguntei “pô, mestre você fotografa com sua família com 35mm?” e ele respondeu: “cara quando saio do estúdio não agüento pegar numa máquina”. E eu pensei: “pô que cara babaca!” [risos]. Só que hoje eu entendo o que ele quis dizer.

E o que as namoradas e esposas acham dos rolês? Alguém já se deu bem?

Cauê - A sempre rola

Ronaldo – É que nunca vão muitas mulheres, não que a gente não queira ou não convide. Eu nunca vi.

Lucas – Eu nunca vi

Cauê - Nunca viu? Eu já vi sim [risos]

Daniel - E uma pergunta determinante: nos bares que o Rolê passa escolhe-se chop ou cerveja de garrafa?

Todos – Cerveja de garrafa

Ronaldo – nunca os encontros do Rolê foram num bar que tivesse chop.

Denis - Vocês acham que esse monte de homem com câmera na mão pode assustar?

Cauê - O lugar que mais teve reação contrária foi na rua Augusta porque só tinha puta, traficante, policial. E antes da gente chegar já estavam esperando a gente, os policiais já vieram pra cima querendo saber o que a gente estava fazendo.

Paula – Já vieram intimidando perguntando quem a gente achava que era, o que a gente tinha fotografado. Mas aí a gente mostrou as fotos e não pegou nada.

Daniel - Vocês têm um site. Qual é a relação de vocês com outras tecnologias?

Ronaldo – Ah..isso é bem legal por que por conta de fotolog e flickr as pessoas foram se conhecendo e conhecendo o trabalho do rolê, o que fez com que se criasse uma comunidade, a partir desses sites.

QUIZ

Uma mentira – [Lucas] Uma bem contada, ne? [risos]

Em que discussão você não entra – [Cauê] De marido e mulher

Tesão ou cinco dígitos mensais na conta – [Ronaldo] Tesão

Quem você mandaria...para... - [Lucas] Ah! Eu mandaria um monte de gente a merda!

Você trocaria de papel com quem – [Cauê] Com o Kelly Slater [risos] numa entrevista ele falou que não gosta de acordar cedo, não treina muito, dorme tarde e não cuida do corpo! [risos]

Um recado para cortadores de foto – [Ronaldo] é delicadíssimo...o ideal seria que nunca cortasse. Mas se for fazer, pense um pouco pelo menos.

DESAFIO

Nós desafiamos o coletivo Rolê a passar pela análise de três grandes curadores de São Paulo. Desafio aceito, em breve você confere o resultado dessa empreitada! Já o Rolê desafia você a participar dos rolês por São Paulo junto com eles. E aí, topa?


Da Redação

 
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Ronaldo Franco FOTOS: Mário Ito
 


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